segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A ECONOMIA CONSTATAÇÕES E PERSPECTIVAS

Acompanhe o comentário semanal da Brasil Plural Economic Research, emitido em 21 de novembro de 2014. 
O texto retrata uma opinião da consultoria acima citada, tem o objetivo de informar única e exclusivamente
o leitor sobre o momento e não em objetivo de comercializar ou sugerir produtos ou serviços. 
¨No cenário internacional, a semana trouxe a ata da última reunião do Fomc – a ata mostrou que o otimismo com a recuperação da economia levou o comitê a interromper o programa de compra de ativos, mas que riscos à recuperação ainda persistem, em especial provenientes de uma performance fraca das outras importantes economias, em especial a Europa, China e Japão. De fato, o PMI composto da zona do euro (índice com boa correlação com o PIB do bloco) divulgado essa semana mostrou queda acentuada, trazendo o indicador ao nível mais baixo em mais de um ano. E a prévia do PMI Chinês de manufaturas em novembro, calculado pelo HSBC, caiu para o menor patamar em seis meses.
No Brasil, a semana trouxe importantes dados tanto sobre a atividade econômica quanto inflação. No geral, os dados de atividade surpreenderam positivamente, enquanto a inflação ao consumidor deu sinais de arrefecimento e a inflação no atacado mostrou força. O tema doméstico central, entretanto, segue sendo a especulação em torno da nomeação da nova equipe econômica. Na última sexta-feira, diversos jornais apontavam que o provável novo ministro da Fazenda será o ex-secretário do Tesouro e atual diretor do Bradesco Asset Management Joaquim Levy, que Nelson Barbosa teria sido convidado para a pasta de Planejamento, e que Alexandre Tombini continuaria comandando o BC. Nada foi oficialmente anunciado, mas os mercados aprovaram os nomes, levando a forte valorização do real, queda dos juros futuros e alta na bolsa, em especial no último dia da semana.
Na segunda-feira, o IBC-Br, a proxy mensal do BC para o PIB, aumentou 0,40% face ao mês anterior (+0,92% no comparativo anual) em setembro, um pouco acima da nossa projeção (0,30% face ao mês anterior) e acima das expectativas de mercado (0,16% face ao mês anterior). O ganho em setembro foi o terceiro ganho consecutivo e trouxe o crescimento trimestral para 0,6% face ao trimestre anterior, acima da nossa expectativa para o PIB do terceiro trimestre, de 0,0% no comparativo trimestral. O efeito carry-over para o ano fica em 0,1%.
Ainda no campo da atividade, soubemos que a taxa de desemprego atingiu 4,7% em outubro (sem ajuste sazonal), de 5,2% em outubro de 2013. De acordo com o nosso ajuste sazonal, o desemprego caiu outros 0,1 p.p. para 4,7%, e voltou para perto de seu mínimo histórico em junho (4,6%). Mais uma vez, em outubro, a queda na taxa de desemprego em relação ao mesmo mês de 2013 foi resultado da força de trabalho em declínio, apesar do fraco desempenho dos números da população empregada - a força de trabalho caiu 0,5% face ao ano anterior, contra um emprego estável em relação ao mesmo mês de 2013. Na margem, a redução da taxa de desemprego resultou de um aumento saudável do emprego com uma taxa mais elevada da força de trabalho (+ 0,4% face ao mês anterior vs. + 0,2% face ao mês anterior, ambos com ajuste sazonal). Enquanto isso, a massa salarial real ganhou impulso, registrando um aumento de 3,8% face ao ano anterior de 1,5% no terceiro trimestre. Apesar da queda em outubro, acreditamos que a taxa de desemprego ajustada sazonalmente tende a subir nos próximos trimestres conforme 1) a redução da força de trabalho é insustentável a médio e longo prazo; 2) de acordo com a atividade econômica morna, os dados do Caged têm dado claros sinais de extenuação.
Destacamos também o índice de confiança da indústria, que subiu 3,9%, para 85,8 de acordo com a prévia de novembro da FGV, o segundo ganho consecutivo em relação ao mês anterior. Em setembro, a confiança havia atingido o nível mais baixo desde abril de 2009, e apesar dos ganhos em outubro e novembro, ela permanece em um nível historicamente baixo (18% abaixo da média entre 2005 e 2013). Além disso, o índice está em níveis inferiores a 100 há 16 meses consecutivos, ou seja, no campo pessimista. O aumento no mês foi liderado pelo componente da situação atual (+8,8% face ao mês anterior, o maior ganho desde setembro de 2003), enquanto o índice de expectativas caiu 0,7% em relação ao mês anterior (após um aumento de 4,9% em outubro). O nível de utilização da capacidade instalada registrou alta de 1.0 p.p. para 83,0%, desfazendo a queda da mesma magnitude ocorrida no mês anterior, e trazendo a taxa de volta aos 0,8 p.p. abaixo da média de 2005-2013. Embora os números de confiança e utilização da capacidade ainda apontem para um desempenho abaixo da média do setor industrial, eles foram positivos e sugerem que pode haver alguma recuperação no curto prazo.
O IPCA-15 subiu 0,38% em novembro, abaixo da nossa projeção (0,50%) e da expectativa de mercado (0,49%). A inflação em 12 meses atingiu 6,42%, abaixo dos 6,62% relativos ao mês de outubro, assim retornando para o intervalo da meta (4,5% + -2pps). Comparado ao nosso call, a principal surpresa para baixo veio dos voláteis preços de passagens aéreas, que caíram 2,4% em relação ao mês anterior, enquanto esperávamos um aumento de 8,5%. A média das medidas de núcleo (dupla ponderação, exclusão e médias aparadas com suavização) foi de 0,35% na comparação com o mês anterior, e caiu para 6,4% face ao ano anterior, de 6,6% em outubro. A inflação de serviços foi de 0,38% e está em 8,3% em 12 meses (vindo de 8,6% em setembro). O IPCA-15 mostrou uma melhora marginal na dinâmica da inflação, com, apesar de elevadas, inflações de serviços e medidas de núcleo em queda, conforme a atividade econômica enfraquece. O nosso call preliminar para o IPCA de novembro é de 0,60% (6,65% no comparativo anual). Nós vemos a inflação fechando 2014 na faixa de 6,4% a 6,5%, um pouco abaixo do teto da meta. Em 2015, esperamos que o IPCA varie 6,7%.
Tivemos nessa semana também o IGP-10 de novembro, que veio em 0,82% (3,32% em 12 meses), acima das expectativas de mercado (0,75%). Em uma base de comparação mensal, o índice acelerou em relação a outubro (0,02%), liderado pela inflação dos preços agrícolas (de 0,03% em outubro para 2,83%), movido pela soja em grão (de -5,04% para 3,69%), bovinos (de 2,86% para 4,44%), milho em grão (de -1,54% para 7,42%), entre outros. A inflação dos preços industriais no atacado também aumentou (de -0,23% em outubro para +0,41%), com os bens intermediários relacionados ao setor de manufaturas (de -0,62% para 1,28%) desempenhando um papel importante, e a inflação do preço do minério de ferro ainda correndo em território negativo (de -5,27% em outubro para -4,57%). O índice de preços ao consumidor apresentou alta de 0,43% em novembro (6,60% em 12 meses), de 0,48% no mês anterior. O índice nacional de custo da construção subiu 0,16% (6,50% em 12 meses), vindo de 0,14% em outubro.
Por último, destacamos a revisão do orçamento de 2014, onde o governo finalmente reconheceu a impossibilidade de atingir a meta de superávit primário de 1,9% do PIB. A meta para o superávit primário do governo central foi revista para R$ 10,1 bilhões (0,2% do PIB), que considerando um superávit primário de 0,1% dos governos regionais implicaria em um superávit primário do setor público de 0,3% do PIB - o menor resultado na série histórica do BC desde 2002. O governo já está considerando que o projeto de lei que altera a LDO 2014 será aprovado. Observamos também que o governo ainda conta com R$ 3,0 bilhões da extensão do programa Refis e R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano.
Nos mercados, o dólar terminou a última sexta-feira cotado a R$2,52, o que representou ganho de 3,4% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. A curva de juros se deslocou para baixo e perdeu inclinação: enquanto contrato para janeiro de 2016 teve queda de 0,20 p.p. para 12,33%, o de janeiro de 2018 caiu 0,61 p.p. para 12,17%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 56.084 pontos, um ganho de 8,3% em relação à semana anterior, ampliando a alta no ano para 8,3%.¨

VOCÊ TOPARIA

Sempre oportuna e atualizadas as informações desta equipe. Para não deixar dúvidas.
 Dança das cadeiras às escuras
Sexta-feira ponte de feriado, normalmente um dia para os mercados cumprirem tabela... Estivéssemos sob condições normais de temperatura e pressão - não, não estamos.
O mercado internacional passa por transição importante. A ata do Federal Reserve veio mais amena no final da quarta-feira, estimulando ganhos lá fora na véspera. Naturalmente, aproveitamos a sexta-feira para tirar o atraso.
Mas não é só isso. Nosso momento talvez não seja de transição (de fato), mas é deveras importante. Estamos diante de uma dança das cadeiras virtual, onde muda-se a equipe econômica do país do dia para a noite, do vinho para a água.
Mas esclarece-se: efetivamente não mudou nada. A brincadeira é meramente virtual, brincada às escuras.
Ao acender das luzes, teremos cadeiras e quadros econômicos mudados, mas não que isso represente necessariamente uma mudança nas diretrizes econômicas - fica o alerta.
Cuidado: brincar de dança das cadeiras às escuras para machucar o bolso.

01:22- Sonhático
O mercado vinha sonhando com Armínio Fraga, sonho que permitiu um rali eleitoral de estatais e o flerte do Ibovespa com os 60 mil pontos.
Acordou com um lava-jato gelado na cara, e com um Mantega demitido dormindo ao lado. Puuutz, ressaca das brabas...
Indevidamente hidratado, o mercado já voltou a sonhar, com Meirelles. Sonhou com Trabuco. Mas a realidade aponta para... Nelson Barbosa.
Com a economia à deriva, os mercados às escuras e a necessidade de desviar o foco dos escândalos de corrupção, você acha mesmo que deixariam para convidar o Trabuco só ontem de noite, como apontam as manchetes??

01:59- Jogo de cena 

Caso isso tenha de fato acontecido, na minha cabeça só resta uma possibilidade... 
Ventilam-se inicialmente três nomes de interesse: Meirelles, Trabuco e Barbosa. Assim, cognitivamente equipara-se o nome de Barbosa ao dos outros dois, ignorando o tremendo paradoxo que há na trinca.
Diferentemente dos dois “banqueiros”, Barbosa é um dos pais da Nova Matriz Econômica em vigor e entusiasta do desenvolvimentismo com inclusão social.
Ou seja, com ele está tudo em Casa, na mesma.
E se Barbosa for mesmo confirmado, pelo menos passa que “tentaram os outros nomes, o que já indica uma mudança de diretrizes”...
Nada me tira da cabeça que o nome já está escolhido há um bom tempo.
02:21- O quarto elemento
Agora, especula-se o nome de Joaquim Levy integrando a equipe junto de Barbosa. E o mercado reage euforicamente. Seria Levy um representante do setor financeiro, posto que trabalha hoje na asset do Bradesco?
Assim como Barbosa, o Levy também é figura conhecida do governo. Enquanto Barbosa ocupou a secretaria da Fazenda de Dilma, Levy compôs a secretaria do Tesouro de Lula.
Achamos Levy um excelente nome. A grande questão não é essa - mas sim a sua capacidade de sozinho contrapor as diretrizes de política econômica que serão impostas.

03:18- Você toparia?
Assumir a Fazenda do Governo Dilma?
A exemplo do Trabuco, o Felipe e o Rodolfo também estão cogitados para a Fazenda. A da Record, claro.
Enquanto o convite não sai, os dois podem falar hoje de Petro, Cielo e ações do setor de construção civil.
Será no Grana Preta de hoje, gratuito que irá ao ar às 16hs.
Para fechar a semana com chave de ouro, lá eles farão um convite especial aos espectadores, bem melhor que o de qualquer cargo público.
Portanto, não perca: http://youtu.be/VyhlNWOavuo

04:03- Foi ruim enquanto durou
Foi anunciado para 1 de janeiro o fim do benefício de IPI reduzido para o setor automotivo, que vem desde 2012.
Após dois anos seguidos de queda no nível de vendas, já foram cerca de 13 mil demissões nas montadoras e 19 mil no segmento de auto-peças este ano. Em 2014, o setor acumula queda de 9% nas vendas e de 16% na produção até o final de outubro.
Não seria um contrassenso você retirar o estímulo justo quando o paciente mais precisa?
Com o IPI reduzido o governo deixou de arrecadar cerca de R$ 12 bilhões. Com o rombo nas contas públicas e a trapalhada do déficit que vai virar superávit primário (se aprovada a mudança na lei de Diretrizes Orçamentárias), a decisão é de força maior.

Por: Roberto Altenhofen da Empiricus

O ANTES E O DEPOIS - FALAR UMA COISA E FAZER OUTRA

O ANTES E O DEPOIS,   FALAR uma COISA e FAZER OUTRA, estas atitudes tiram o crédito dos políticos, principalmente quando o discursos e a prática é dos maiores líderes da nação. Se o povo elegeu tal proposta, por que a execução é do outro.

Com Kátia Abreu e aceno pró-mercado, novo ministério é a antítese da Dilma-candidata. 

Veja o texto do jornalista Matheus Pichonelli –  em 22 de novembro de 2014 - do  br.noticias.yahoo.com


Amigo petista, amigo tucano. Tente puxar pela memória o que você fazia na manhã de 22 de outubro de 2014. Há exato um mês, se bem nos ajuda a memória, os primeiros pegavam em armas para defender as conquistas sociais, a estrada rumo ao igualitarismo, a vitória dos trabalhadores contra o capital.
Os últimos, por sua vez, espalhavam adesivos e empunhavam bandeiras contra o Estado Máximo e o tal bolivarianismo, esse risco enorme de dormir num quarto pago a prestações e acordar com dois ou três sem-tetos cubanos na sala de visitas.
A batalha retórica, alimentada por militantes e candidatos, recolheu os panos tão logo foi encerrada a campanha. O líder oposicionista fez um ou outro discurso anti-tudo isso que está aí e tirou férias. Aos vencedores sobraram as batatas e o abacaxi, ilustrado pela posição do noticiário em 22 de novembro do mesmíssimo ano. Neste dia, quem quisesse saber das noticias de política tinha de ler o caderno de economia. E quem quisesse saber dos desdobramentos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, tinha de ler o caderno de política. É como se, encerradas as eleições, o noticiário político puro evaporasse para um plano ideal. No chão, ele se divide entre o dinheiro e o caso de polícia. Daí talvez o estranhamento de quem condena as supostas malversações entre público e privado, mas aceita de bom grado dações empresariais para campanha.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado  Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Durante a eleição, Dilma e o estafe petista atacaram com todas as armas as relações dos oposicionistas com o mercado. Marina Silva foi metralhada por sua proximidade com uma herdeira do Itau e sua proposta de independência do Banco Central. Aécio Neves foi triturado por resgatar o “cozinheiro” da recessão: corte de despesas, aumento de juros, retração do consumo, redução dos salários e do poder de compra. Quem acompanhou os debates na tevê tinha a impressão de estar diante de um embate de modelos bem claros de desenvolvimento: mal resumindo, um pró-patrão, outro, pró-trabalhador. O nó é que sem os primeiros não se governa, e sem os segundos, não se ganha eleição.
Mas quem ganha a eleição precisa governar, e isso em si despacha a principal dúvida sobre o caminho a ser seguido pela presidenta reeleita neste segundo mandato que já começou: se ela radicalizaria as mudanças exigidas pelos movimentos que aderirem em peso à sua campanha (reforma política, lei da mídia, reforma agrária, taxação de grandes fortunas, mais regulação do sistema financeiro, punição a desmatadores, etc) ou se levantaria a bandeira branca ao mercado que a rejeitava. 
A montagem do novo ministério é uma resposta a qualquer dúvida. E torna quase ridículas as brigas fratricidas entre eleitores diante de projetos antagônicos apenas na retórica. Pois, uma vez reeleita, foi a um banqueiro (sai o Itaú, entra o Bradesco) que Dilma Rousseff recorreu para compor a “credibilidade” de seu Ministério da Fazenda. Esse era o plano A. O plano B é um nome mais próximo de Arminio Fraga, o famigerado ministro nomeado antes da hora por Aécio Neves, do que de qualquer símbolo da ala desenvolvimentista que semanas atrás provocada uma guerra em defesa do modo petista de governar. Joaquim Levy estudou em Chicago, trabalhou para o FMI, tem passagem pelo governo FHC, é crítico do papel do BNDES, do controle de preços da atual gestão, do “tentáculo monopolista” da Petrobras e já referendou a tese dita liberal pela independência do Banco Central. Bastante bolivariano, não? Pois se fosse anunciado como colaborador de qualquer adversário na campanha, tornaria-se alvo fácil dos bombardeios petistas.
Para fechar o governo supostamente popular, o restante da equipe foi recrutado em duas confederações nada populares, para dizer o mínimo: a Confederação Nacional da Indústria e da Agricultura.
Armando Monteiro (PTB-PE) deve assumir o ministério do Desenvolvimento e Katia Abreu, o da Agricultura. A ministeriável, só para lembrar foi alvo, no ano passado, de uma ação das mulheres do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na fazenda Aliança, em Tocantins, de propriedade de sua família. A ação visava denunciar a suposta relação da ruralista com trabalho escravo, crime ambiental e grilagem de terras. A manifestação ocorreu no dia 7 de março. Na época, em nota divulgada sobre o acontecimento, Kátia Abreu chamou o MST de “movimento dos sem lei” e a Via Campesina, de “milícia”. É neste ambiente que ruralistas e movimentos sociais iniciam os futuros acordos no novo velho governo - mas apenas uns fizeram campanha para a então candidata petista. 
A escolha pode até dar certo, mas, a essa altura, a distância entre intenção e gesto de candidatos e mandatários parece transformar a base eleitoral, esta que ganha jogo, numa balsa em direção à miragem.
Quando nasceu uma das filhas do fluminense Chico Buarque, o amigo flamenguista Ciro Monteiro presenteou-a com uma camisa do Rubro Negro. Chico respondeu com uma de suas músicas mais felizes: “um pano rubro-negro é presente de grego, não de um bom irmão; nós, separados das arquibancadas, temos sido tão chegados na desolação”. Foi mais ou menos esse o teor da conversa que pautou o debate até outubro: a cor da camisa.

A possível nomeação, no novo governo, de tudo o que Dilma Rousseff jurava combater em campanha é a maior prova de que os eleitores que se estapearam por um Fla x Flu quase teatral podem agora se dar as mãos e redirecionar o revide, este escancarado em edição educativa nas notícias de uma carceragem em Curitiba. A desolação é uma bandeira multicor.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Justiça argentina investiga empresa de Cristina Kirchner

BUENOS AIRES - Um juiz federal ordenou nesta quinta-feira a entrega ao Tesouro Nacional de documentos relativos a uma empresa que tem como acionista a presidente argentina Cristina Kirchner após uma denúncia por violações de deveres de funcionários públicos e abuso de autoridade.

A medida foi ordenada pelo juiz federal Claudio Bonadío, que pediu as informações à Secretaria da Receita Federal sobre a empresa Hotesur S.A "por meio de uma ordem de apresentação coordenada com cinco agentes da polícia metropolitana e testemunhas", afirmou o Tesouro em um comunicado.
"A agência federal está realizando a entrega de toda a informação solicitada", diz o comunicado.
De acordo com imagens veiculadas pelo canal Todo Noticias, agentes policiais estiveram também na sede da empresa, mas a operação não foi oficialmente confirmada.
Bonadío ordenou a ação a partir de uma denúncia formal apresentada por uma deputada da oposição contra a presidente pelo fato da Hotesur não ter apresentado balanços fiscais à Inspeção Geral de Justiça desde 2011.
"Não se conhecem os ativos e os passivos desta sociedade anônima, nem a atual formação societária, ou tampouco os integrantes de sua atual diretoria", afirma a denúncia da deputada Margarita Stolbizer, de uma coalizão de centro-esquerda.
De acordo com a autora da denúncia, "a sociedade da qual faz parte a presidente não foi sancionada pela Inspeção Geral de Justiça, e nem mesmo a implementação de taxas exigidas foi iniciada".

A Hotesur SA administra o Hotel Alto Calafate, na província de Santa Cruz. Este é um dos dois hotéis pertencentes à presidente no centro turístico da Patagônia.


Por O Globo | Agência O Globo – 20/11/2014

Por que se passa uma cestinha para coletar dinheiro durante a missa?

Durante o ofertório, são coletadas doações para os pobres e para as necessidades da Igreja, como demonstração de partilha de bens


PATRICIA NAVAS GONZÁLEZ  - 21/11/2011 - Aleteia

Há um momento da missa, quando se apresentam o pão e o vinho que não se tornar o Corpo e o Sangue de Cristo, no qual é costume passar entre os presentes uma cesta para coletar dinheiro.
 
Que sentido e origem tem esta coleta? É obrigatório dar dinheironesse momento? Isso não distrai da celebração ou inclusive pode induzir a achar que se está cobrando um preço por participar damissa?
 
O sentido da coleta econômica durante a missa é a partilha dos bens, segundo o Missal Romano.
 
“São oferecidos dons materiais para os pobres assistidos pela comunidade cristã ou para as necessidades da própria paróquia”, explica à Aleteia o especialista em liturgia Jaume González Padrós.
 
É obrigatório?
 
Com o gesto de passar a cesta no momento do ofertório, os cristãos são chamados a unir uma doação material à sua doação espiritual ao sacrifício da missa. Certamente, isso é feito em liberdade e segundo a própria consciência.
 
“O importante é a consciência de cada fiel – explica o especialista. Todo cristão deve ter consciência da sua obrigação de colaborar com a Igreja em seus fins e em seu sustento, é um mandamento da Igreja.”
 
Dar
dinheiro durante a missa quando passam a cestinha “não é uma obrigação; cada um, em sua consciência, decide como pode colaborar”.
 
Neste sentido, esclarece: “Não é a mesma coisa uma pessoa desempregada que uma que ganha 10 mil reais por mês. Cada um precisa descobrir, em sua consciência, em que grau pode colaborar, ou se realmente não pode”.
 
Desde os primeiros cristãos
 
O costume de passar a cestinha remonta às origens da Igreja, ainda que a forma foi variando ao longo do tempo.
 
Os primeiros cristãos levavam à missa o pão e o ofereciam para que o sacerdote o consagrasse. De fato, ainda hoje, nas liturgias orientais, os fiéis levam o pão, e o que não for usado na Missa é dado aos pobres.
 
Mais adiante, no lugar do pão, as pessoas começaram a oferecer outros dons para os pobres e necessitados, ou inclusive para a Igreja.
 
Também na atualidade, são recolhidos produtos vários em determinados lugares ou momentos, por exemplo, em uma campanha de Natal. Neste caso, esses dons são colocados em um lugar apropriado, fora da mesa eucarística.
 
“Hoje, na sociedade ocidental, é mais cômodo fazer uma coleta dedinheiro para as necessidades da paróquia e para os pobres que levar a comida”, destaca o diretor do secretariado da Comissão Episcopal de Liturgia da conferência episcopal espanhola, Luis García Gutiérrez.
 
Além das habituais, também há coletas especiais, determinadas pelas conferências episcopais para um fim determinado da Igreja: caridade, evangelização, formação de seminaristas etc., sempre vinculado à ação evangelizadora, pastoral e caritativa da Igreja.
 
A coleta sempre foi realizada no mesmo momento da missa, quando se apresenta o pão e o vinho, porque está vinculada à apresentação dos dons para a Eucaristia.
 
Segundo Gutiérrez, uma vez passada a cestinha, não é correto deixa-la sobre o altar – onde só devem permanecer o pão e o vinho – nem tampouco leva-la à sacristia, mas sim depositá-la aos pés do altar como expressão do que cada um oferece de si mesmo.


Lima descarta passagem por Bolívia de trem interoceânico Brasil-Peru

A construção de uma ferrovia entre Brasil e Peru, que permitirá unir comercialmente portos do Atlântico e do Pacífico, não cruzará o território boliviano como o país espera, anunciou nesta quarta-feira o presidente peruano, Ollanta Humala.

A publiucação da AFP do dia 19 de novembro de 2014 destaca a decisão:
O presidente disse que esta mega-obra, que os governos de Lima e Brasília projetam, foi um dos assuntos abordados em sua recente viagem à China, país que deve participar da construção e do financiamento.
"Após um acordo prévio com o Brasil na China foi aprovada a assinatura de um memorando para iniciar os estudos de um projeto de trem que una os oceanos e possa integrar os mercados de Brasil, Peru e China", disse Humala, durante reunião com meios de comunicação estrangeiros no Palácio do Governo.
O chefe de Estado indicou que o percurso que o trem cobrirá não será pelo sul do Peru e através da Bolívia, mas "pelo norte do Peru, por razões de interesse nacional", que não especificou.
A Bolívia pretende participar do projeto e se somar a uma ferrovia que possa ligar seu território e seus produtos a portos dos dois oceanos.
Segundo estimativas iniciais, a ferrovia teria um custo de US$ 10 bilhões, que a China estaria em condições de financiar.
Em outubro, o plano gerou alguns atritos diplomáticos entre Lima e La Paz, depois que o presidente boliviano, Evo Morales, disse que o Peru estaria marginalizando a Bolívia do traçado.
"Não sei se o Peru está fazendo uma jogada suja", queixou-se.
Humala disse ter "o maior respeito pelo presidente (Evo) Morales" e que seu país está comprometido na integração com a Bolívia e apoia sua reivindicação histórica de uma saída para o mar.

Neste sentido, referiu-se a "outro projeto de ferrovia que viria de La paz" e chegaria até os portos peruanos e Lima. Ele disse que os ministros do Transporte dos dois países entraram em contato para avançar no tema. "É um desafio de engenharia pelas descidas da Cordilheira até a costa", acrescentou.

Evite sete hábitos que aumentam o risco de depressão

A revista Minha Vida publicou  esta matéria que é salutar observar.

Falta de exercícios físicos, má alimentação e excesso de internet podem ser perigosos

Muita reclamação - Getty ImagesA Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão se torne a doença mais comum do mundo nos próximos 20 anos. Atualmente, ela afeta mais 350 milhões de pessoas de todas as idades e é causa de mais de 850 mil suicídios por ano. Diante de números tão altos, especialistas da área de saúde reforçam a necessidade de estar atento aos principais fatores que podem desencadear o problema. 

"A depressão é uma doença causada por uma combinação de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociológicos", afirma a psiquiatra Renata Bataglin, do Hospital e Maternidade São Luiz. Se você tem histórico familiar de depressão, deve ter ainda mais cuidado com alguns hábitos diários que interferem na sua saúde. Descubra os principais deles a seguir. 

Sedentarismo

Quem vive com a sensação de que está cansado e não tem tempo para praticarexercícios precisa saber que a atividade física é uma ótima forma de melhorar a disposição. "A prática regular aumenta os níveis de endorfina no organismo, que é um neurotransmissor que promove a sensação relaxante de bem-estar", explica a psiquiatra Renata.

É essa endorfina que ajuda a combater depressão em pessoas com predisposição. Uma pesquisa publicada no Journal of Clinical Psychiatry mostrou que a atividade física é tão eficiente que pode funcionar até como um tratamento paralelo à medicação de depressão. Os pesquisadores analisaram voluntários com depressão que tinham entre 18 e 70 anos. Em um primeiro momento, todos não responderam bem aos medicamentos. Ao serem submetidos a 12 semanas de exercícios físicos - junto ao tratamento com medicação -, cerca de 30% dos pacientes em ambos os grupos atingiram uma remissão completa da depressão e outros 20% tiveram uma melhora significativa. 

Estresse

Esse companheiro indesejável da rotina corrida pode deixar o corpo de portas abertas para a depressão em pessoas que já tem tendência. "Parte das causas de depressão vem de pressões ambientais, jornada de trabalho muito extensa ou insatisfação com o emprego, congestionamento no trânsito, problemas financeiros, falta de emprego, cobranças pessoais e frustração", exemplifica a psicanalista Priscila Gasparini, da USP.

Um estudo que comprova a relação foi publicado na revista científica PLoS ONE, feito por pesquisadores do Finnish Institute of Occupational Health, na Finlândia, e da University College London, na Inglaterra. Eles acompanharam 1.626 homens e 497 mulheres durante cinco anos. Nos resultados, as pessoas analisadas que trabalhavam 11 horas ou mais por dia tinham um risco até 2,5 maior de ter depressão do que aquelas que tinham um expediente de oito horas diárias. Um dos fatores que podem ter influenciado esse número é o estresse de passar grande parte do dia trabalhando.  

Má alimentação

Um estudo realizado pela University College London, na Inglaterra, fez a análise de 3,5 mil funcionários públicos britânicos por cinco anos. O resultado, publicado na revista British Journal of Psychiatry, mostrou que as pessoas que mantêm uma dieta rica em alimentos industrializados têm um risco 58% maior de ter depressão. O ideal seria manter uma alimentação balanceada, com todos os nutrientes na proporção certa e com ingestão moderada de alimentos ricos em açúcares, gorduras e conservantes.

Segundo a psiquiatra Renata, os dois extremos não são bons: comer muito ou ficar muito tempo em jejum. "Esses dois hábitos alteram os níveis de glicose no sangue e podem deixar a pessoa mais predisposta a ter depressão", explica. Ela recomenda se alimentar de três em três horas e incluir no cardápio alimentos fontes de triptofano, um tipo de aminoácido que ajuda na produção de serotonina. "Como a depressão está relacionada à baixa serotonina, o ideal é a pessoa ingerir maiores quantidades de triptofano, presente em frutas como banana, melancia, mamão e abacate", afirma a médica do Hospital São Luiz.

Vício em internet

Você pode até manter muitos contatos pela internet, mas eles nunca vão substituir as amizades fora do mundo virtual, segundo Renata Bataglin. "É muito fácil a gente ficar mais tempo do que o planejado usando a internet e, ao gastar o seu tempo com isso, você deixa de fazer outras atividades, como dormir direito, praticar exercícios ou interagir com outras pessoas no dia a dia", diz a psiquiatra.

Um estudo feito pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, reforça o que Renata afirma: acompanhando um total de 1.319 de casos de pessoas entre 16 e 51 anos, os psicólogos perceberam que aqueles que ficavam horas e horas na frente de um computador tinham cinco vezes mais chances de ter depressão do que os que utilizavam a internet normalmente. Os especialistas lembram, entretanto, que não somente a internet - mas qualquer vício que isole a pessoa de outras atividades cotidianas - pode ser um fator que aumenta a predisposição à doença, como se enterrar em livros ou fazer muitas compras. 

Sono de má qualidade

Um estudo publicado na revista científica Sleep teve a análise de mais de dez mil pessoas com idade média de 52 anos. Os pesquisadores - da Cleveland Clinic Sleep Disordes Center (EUA) - observaram que as pessoas com sono considerado normal (de seis a nove horas por noite) tiveram índices bem mais altos de qualidade de vida e níveis mais baixos de depressão, quando comparadas às pessoas que dormiam muito ou pouco.

Uma possível explicação para isso é de que o corpo precisa descansar direito para permanecer em equilíbrio. O sono inadequado é tanto causa quanto consequência da depressão. "Há um índice muito alto de pacientes com depressão e distúrbios do sono, como ter dificuldade para iniciar o sono, despertar durante a noite ou acordar mais cedo do que a hora certa", explica a psiquiatra Renata. Se a pessoa apresentar uma melhora da depressão, mas continuar mantendo o sono ruim, terá um risco muito grande de desenvolver um novo episódio depressivo. Por isso, dormir bem faz toda a diferença na prevenção e no tratamento.  

Viver sozinho

O ser humano não consegue viver sozinho, sem se relacionar com outros - isso é indicado em diversos estudos. Um deles, desenvolvido pelo Finnish Institute of Occupational Health, na Finlândia, selecionou 3.741 homens e mulheres com idade média de 44 anos que foram acompanhados por oito anos. Os resultados mostraram que os indivíduos que moravam sozinhos tinham até 80% mais chance de ter depressão do que aqueles que viviam com uma ou mais pessoas, tanto amigos quanto parentes. A solidão deve ser evitada em pessoas com tendência a ter depressão. 

Muita reclamação

Muita reclamação - Getty ImagesLamentar a vida e achar que nada vai dar certo pode virar uma mania a ponto de interferir na sua saúde. A depressão está muito relacionada ao pessimismo e à autoestima baixa. "Ter mais autoconfiança e manter uma postura mais pró-ativa com a própria vida ajuda muito", diz Renata Bataglin.

Um estudo publicado na revista científica Psychological Science, da Association for Psychological Science mostra que parte da razão pela qual as pessoas desenvolvem a depressão a partir de um evento negativo (como divórcio ou morte de um parente) está na memória de trabalho - também chamada de memória de curto prazo - que insiste em ruminar pensamentos negativos e não permite que o depressivo volte a sua atenção para outra coisa. Os pesquisadores da University of Miami e Stanford University, Estados Unidos, fizeram os participantes memorizar palavras diversas. Eles observaram que as pessoas com depressão tiveram mais problemas em reordenar as palavras em sua cabeça, principalmente quando elas tinham conotação negativa, como "morte" ou "tristeza".