sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Usar o 13º salário para pagar dívidas? Confira a opinião de uma educador financeiro.

Usar o 13º salário para pagar dívidas é um erro capital; entenda
InfoMoney 
SÃO PAULO - Utilizar o 13º salário para pagar aquelas dívidas em atraso pode estar nos planos de grande parte dos brasileiros. Mas, na opinião do educador financeiro, Reinaldo Domingos, essa alternativa é um "erro capital".
Para Domingos, uma vez que se usa o dinheiro extra para pagar o que se deve, muitos se esquecem de um princípio fundamental da educação financeira: planejamento para atingir objetivos. "Eu sei que essa é a recomendação da maioria das pessoas e que o dinheiro extra é um grande alívio para a população, mas tratá-lo de maneira impulsiva só mostrará que não se aprendeu nada com o endividamento e que, possivelmente, se retornará a este problema em um curto período de tempo", explica o educador.
Muitos devem se perguntar agora o que fazer com o dinheiro. Domingos sugere o primeiro passo: fazer um diagnóstico de sua situação financeira. "É certo que não dará para fazer isso de forma ampla, que seria anotando por um mês todos os gastos, mas dá para saber qual sua situação financeira", complementa. Se realmente for de endividamento, ainda é necessário saber se está sob controle ou se já está descontrolado, ocasionando a inadimplência.
Já o inadimplente tem que tomar uma ação mais difícil, que é negociar os valores com os credores. Segundo Domingos, é importante ter em mente que as pessoas querem receber esse valor. A partir daí, é a hora de buscar um consenso. "Nunca esquecendo que o valor definido terá que caber dentro do orçamento mensal. Fora isso, é necessário readequar o padrão de vida para que, no futuro, o problema não se repita."

Com os compromissos sob controle, ele recomenda que o décimo terceiro seja utilizado para sonhos e objetivos de curto, médio e longo prazos, no qual pode estar o de quitar as dívidas. "Para quem está endividado, mas não inadimplente, a obrigação é honrar com seus compromissos e, para que isso ocorra, os valores devem estar no orçamento mensal. Pagando tudo dentro do prazo e, se possível, adiantando o pagamento dos valores e eliminando as dívidas o mais rápido possível, essa pessoa nunca terá problema", finaliza.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

JÁ ERA SABIDO

Com o andar da campanha muito se ouvia e muito se desconfiava, porém era sabido por todos, era  de conhecimento de todos que muitas novidades iriam ser observadas após lacradas as urnas.
E concluso o processo eleitoral antes mesmo dos números oficiais o povo foi informado.
Aumento dos combustíveis (da gasolina e do diesel).
Aumento da energia elétrica.
Soltar os presos companheiros ( Zé Dirceu e Cia), foram liberados os companheiros de luta.
Aumento dos juros.
Revisão dos valores dos programas sociais,  etc....
Medias impopulares que eram consideradas um grande erro viraram a melhor opção.

Anunciem que o que a candidata disse não é bem assim. A presidenta entende diferentemente do que de fato dizia. Aliás ela dizia que governar, tomar decisões não é fácil, tem que conhecer. E ela está e continuará no poder.
 etc....

Roberto Altenhofen da Empiricus faz observações pra lá de especiais confira:

00:11- Ninguém em sã consciência
Ontem lancei o desafio do “esclarecimento” da Petrobras.
Recebi uma infinidade de respostas por email. Agradeço a todas. Infelizmente, nenhuma chegou perto do desfecho. Na verdade, ninguém em sã consciência imaginaria tal desfecho...
Petrobras anunciou na véspera reajuste de 3% no preço da gasolina e de 5% no óleo diesel. O reajuste veio um dia após a empresa negar o mesmo, abaixo da pior expectativa (entre 4% e 7%) e não traz o alívio esperado para os fluxos de caixa da estatal - com a disparada mais recente do dólar, não traz qualquer alívio.
Muito mais do que isso, o reajuste reforçou a situação de uma estatal completamente refém de manobra do governo e sem qualquer respeito à sua base de acionistas. Foi mais uma lição de governança corporativa. De como não fazer.

01:08- Petrobras mentiu para o mercado

No comunicado divulgado na noite da quarta-feira, a estatal havia afirmado que “não há data ou percentual definidos para o reajuste” e “a orientação do Conselho de Administração tem sido pela manutenção dos níveis de preços”.
Poucas horas depois, a presidente Dilma falou justamente o oposto, que as acusações de represamento de tarifas se tratavam de “lorota” e que Petrobras já havia definido o reajuste.
Diante disso, pergunto...
Qual a credibilidade da comunicação da estatal? 
Qual a validade do esclarecimento publicado junto à CVM? 
Petrobras mentiu para o mercado em documento oficial? Ou teria a presidenta mentido?
01:42- 

Foi bom (foi?) enquanto durou

Os ADRs da Petrobras, ou recibos de ações negociados no mercado internacional,  reagiram em primeiro momento com valorização. 

Típico caso de respingo pontual para um mercado que já não esperava mais nada. 

O movimento se estendeu à abertura na Bolsa brasileira, mas não se sustentou. Ações passaram a cair com vigor. Agora há pouco, voltaram a subir.
Minha percepção: qualquer alta pontual mais vigorosa é oportunidade para raquetar. Short (venda).
Além da nova falha de governança, o episódio deu clara indicação de que Petrobras segue mais do que nunca sujeita a ingerência política, fazendo uma conta de chegada: um reajuste cuidadosamente posicionado entre dar uma resposta qualquer para o mercado e não impactar a meta de inflação. Lembra da tese das migalhas ortodoxas em meio a uma essência heterodoxa? Bingo!
Grosso modo, foi um reajuste para inglês ver, após a empresa acumular um prejuízo consentido de mais de R$ 60 bilhões com a política de importação de combustíveis, rodar um ano com defasagem média em torno de 20% para os preços internacionais, e justamente no dia em que dólar disparou para a maior cotação desde 2005 (comprometendo a pontual paridade para os preços internacionais).

A propósito, a estatal não havia anunciado no final do ano passado que sua nova metodologia de preços era de reajustes automáticos?

03:17- Ah, que isso, ela está descontrolada
Partindo para a agenda econômica do dia, temos como destaque por aqui a divulgação do IPCA de outubro, o indicador oficial de inflação.
A inflação desacelerou no mês passado, marcando 0,42%, mas continua acima do teto da meta, em 6,59% em 12 meses, contra 6,50% do teto da meta (nunca é demais lembrar, que a meta de fato é de 4,5%).
Falando nisso, já faz cinco meses que a inflação está, sim, acima do teto da meta, contrariando o que foi dito durante todo o período de campanha. E, com o desrepresamento de preços a todo vapor (não, ele não é “lorota”), caminhamos para mais um tento.
Não, não cometemos estelionato tampouco terrorismo eleitoral. E, sim, a inflação preocupa. Não preocupasse, teria motivo para aumentar o juro?
O problema é que, contrapondo o ligeiro aumento da Selic, para novembro temos reajustes de energia na próximos de 20% por todos os cantos (falamos neles ontem), aumento no preço da gasolina e no diesel na bomba, dólar disparando para perto de R$ 2,60...
Das duas uma, talvez as duas: a inflação está fadada a subir mais; o juro está fadado a subir mais.

04:14- Ôoo, o gatilho de fluxo voltooou
As ações de ALL (ALLL3), BR Properties (BRPR3) registram as duas maiores quedas do Ibovespa no momento que escrevo. Copasa (CSMG3) também despenca - esta não está no Ibovespa.
O que elas têm em comum?
Foram excluídas do índice MSCI Global (passam a compor o MSCI small caps). A nova composição passará a valer a partir do próximo dia 25. 
O MSCI serve de referência para muitos fundos estrangeiros com restrição estatutária de investimento em ações que o integram: estar ou não no índice pode representar a abertura de uma fronteira de potenciais investidores de cerca de US$ 30 bilhões de patrimônio.
Trata-se obviamente de uma estratégia baseada em fluxo (não em fundamentos) e em performance passada, que nunca foram garantia de retorno futuro; mas vale ficar atento.
A propósito, lembra do trade idiota que funciona?
Comprar ações que entrarem no MSCI e vender as que saíram visando as próximas duas semanas – contando dessa, que traz o rebalanceamento da carteira teórica do índice.

Infelizmente, não se espera a entrada de nenhuma ação brasileira desta vez no MSCI Global.
De toda forma, vale o alerta: elas não deixarão de ser empresas melhores ou piores por isso, mas estão sujeitas a volatilidade adicional sobre suas ações no curtíssimo prazo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

QUEM NÃO SABIA

Concluso o processo eleitoral, onde o povo ainda participava e já de posse dos resultados sentenciava-se algumas decisões pelos que que acompanhavam o pleito. Considerados radicais, mas por vezes muito racionais sempre opinavam mas eram considerados exagerados e tendenciosos. Inclusive eu era visto com extrema desconfiança devido minhas opiniões. Declaro que no afã de colaborar com a discussão externava com detalhes as razões que indicavam tal situação. Agora passados apenas 10 dias do propagado momento democrático vivido percebemos que não só eu, mas muito estavam certos e procuraram alertar para tal situação. Poderíamos citar capas de jornais, revistas, jornais, sites, manchetes de inúmeros programas televisivos, de rádios ou similar para demonstrar o que todos sabiam, mas buscavam não compreender ou acreditar. Os textos a seguir assinado por Roberto Altenhofen destaca entre outras situações um pouco do que muito foi falado no período pré eleitoral, para muito considerado exagero:

 00:21   Dez dias de estelionato
Completamos dez dias de reeleição confirmada. A pergunta de um bilhão de dólares continua: teremos à frente quatro anos semelhantes aos anteriores ou uma versão atualizada do Lula I?
Por ora, temos de concreto:
Aumento da taxa básica de juro, promessas de política fiscal mais austera, com elucubrações envolvendo a retomada da CIDE e da CPMF, sugestão de nomes do mercado financeiro para tocar a Fazenda, incluindo dois banqueiros, possibilidade de falta de energia programada nas madrugadas de janeiro, alta das tarifas de energia e autorização ministerial ao reajuste dos combustíveis.
Tudo isso permeado por uma dura realidade:
Revisões para baixo nas estimativas de crescimento, o pior resultado fiscal de toda a série histórica, problemas para auditar o balanço da Petrobras, o maior déficit na balança comercial em 16 anos, queda inesperada da produção industrial...
Confesso uma curiosidade pessoal: o que estaria na cabeça de Neca Setubal neste momento, defenestrada na campanha eleitoral, ao ver Trabuco cotado para o ministério da Fazenda?
Comparar os parágrafos anteriores com o discurso de campanha é vergonhoso.
Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é.

00:40 Petrobras como exemplo
Por mais incrível que possa parecer, entendo que Dilma deva se parecer no segundo mandato mais consigo mesma do que com Lula.
Enquanto se debruçam sobre sinalizações daqui e dali para o próximo ministro da Fazenda, recorro a um caso particular para argumentar em favor do geral. Entendo que a reunião do Conselho de Administração de Petrobras é sinal da profundidade do ajuste de política a que o novo governo Dilma está disposto.
Conforme narram as notícias, depois de já ter havido o adiamento da conclusão da reunião do Conselho, o ministro Guido Mantega teria autorizado reajuste dos combustíveis para a Petrobras.
De quanto, quando e como?
Essas questões “menores”, ainda sem resposta.
Funciona assim: distribuem-se pequenas migalhas ao mercado (no caso, “Mantega autoriza reajuste), mas sem nenhuma transparência (vale pontuar frase de Graça Foster: “reajuste não se anuncia, se pratica”), tampouco definição sobre prazos e profundidade.
Tentam vencer o debate sem ter razão. Mas, como não são Schopenhauer (sonha!), dificilmente conseguirão convencer por muito tempo.
Dada a situação periclitante, sobretudo nas contas públicas, é evidente que haverá flertes e sugestões em favor da ortodoxia, com direito a promessa de ajuste fiscal. Agora, para mudar sua essência, de fato, precisaria muito mais.
As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras, resumiria Nietzsche.

01:38 Sobre o ministro da Fazenda
Sob essa prerrogativa, o nome de Nelson Barbosa surgiria como mais provável para o ministério da Fazenda. Que fique claro: acho Nelson Barbosa excelente economista e, capaz, sim, de ser um bom ministro.
Há de se elogiar ainda sua integridade e honestidade intelectual, por ter deixado o governo diante de discordância com o rumo da política econômica.
Entretanto, Nelson não chegaria com o tamanho da reputação de Meirelles ou Armínio, de tal sorte que o ajuste com ele, para resgatar a confiança de fato, teria de ser mais pronunciado. Obviamente, ajustes “violentíssimos” trazem dor no curto prazo - e o Governo, por ideologia e falta de apoio político, não parece disposto a tolerar essa dor.
É evidente que o nome ainda pode ser Henrique Meirelles, principalmente porque, para os gramscinianos, independente do cargo atual, importa a hierarquia do partido e do Moderno Príncipe. Nesse caso, Lula seria mais relevante até do que a própria Dilma.
Meirelles, se confirmado, seria recebido de forma positiva pelos mercados. Se será sustentável?
Não acredito.
Há mais mistérios entre a economia e o ministério da Fazenda do que julga vã filosofia.
Citando o brilhante Marcos Lisboa em seu artigo na Folha de segunda: 

“Desanimando os mais esperançosos, a escolha do ministro será insuficiente para uma mudança de rumo. Os números disponíveis e as restrições legais justificam o ceticismo(...) O enfrentamento do grave quadro fiscal requer um governo que reconheça as dificuldades e viabilize politicamente as reformas necessárias para a sua superação, e não apenas que atribua os problemas à crise externa e a uma temporária baixa confiança do setor privado.”


02:42 O ajuste virá
A combinação de uma herança complicada de fundamentos, ideologia atrasada e base de apoio político (sindicatos e movimentos sociais) contrários à ortodoxia torna a hipótese de um ajuste, na intensidade e na extensão necessárias, improvável.
Seja como for, o ajuste virá, imposto: o mercado fará a correção. Para isso, cobrará o seu preço.
Com qual cenário trabalhamos?
Juro real longo de 7% e Ibovespa a 13 mil pontos em dólar (mais ou menos 40 mil pontos em reais).


03:34 Seus filhos também estarão mortos no longo prazo?
Há quem diga que o atual governo é keynesiano - a rigor, ou entenderam Keynes totalmente errado ou não são keynesinanos. Simples assim.
Em resposta à clássica frase de que no longo prazo todos estaremos mortos, de Keynes, Niall Ferguson lembrou que essa só poderia ser mesmo uma preocupação de quem não tinha filhos (omito o restante por questão de elegância).
Devemos, sim, pensar a longo prazo. Se 2015 reserva um importante ajuste no preço dos ativos brasileiros, havemos de pensar que o País é recheado de oportunidades, que podem e devem ser exploradas a médio e longo prazo.

04:19 Não compactuo com estelionato
Deixo uma última observação aos torcedores em prol da continuidade do estelionato eleitoral pelo governo. Àqueles que compactuam com isso, simplesmente porque essa alternativa é superior à continuidade da nova matriz econômica, reservo a pergunta: se Dilma, ao adotar medidas que há poucos dias criticou duramente, mente a seus próprios eleitores, o que poderá fazer com o mercado?
Não posso compactuar com a ideia de que esse tipo de postura possa ser positiva ao País no longo prazo.