sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

’2014 está rolando’, por Fernando Gabeira

 Revista Veja -03/01/2014 -  Opinião - AUGUSTO NUNES - 
Publicado no Estadão desta sexta-feira
FERNANDO GABEIRA
No fim do ano recebi um envelope laminado cheio de bolinhas de isopor e um cartão de Antônio Bernardo: “2014 vai rolar”. E como! ─ pensei.
Aproveitando os feriados, revi um livro de Octavio Paz, Os Privilégios da Vista. Ele menciona os calendários lunares e solares dos antigos povos da América Central. Alguns dias ficavam de fora. Eram os dias vazios, como os definiu Paz. Não é o caso de 2014, quando temos uma conjunção de Copa do Mundo e eleições. A Copa é realizada de quatro em quatro em quatro anos, mas agora será no Brasil.
Nas eleições de que participei traçávamos uma linha rígida: a campanha começava quando a Copa terminava. Agora essa linha se dissolveu. As eleições podem invadir o espaço da Copa e esta, certamente, invadirá o espaço das eleições.
Independente de grandes manifestações, o Brasil merecia um grande debate, pois é uma eleição que potencialmente pode definir rumos. A maioria quer mudança. Mas isso não quer dizer nada, pois as eleições podem consagrar o mesmo bloco de partidos que está no poder. O desejo de mudança vai perseguir o próximo vencedor. Ele, naturalmente, pode resistir, argumentando que venceu.
O Brasil fez a Copa para projetar uma imagem de crescimento e pujança que hoje está desfocada não só pelo medíocre crescimento, como pela precariedade de infraestrutura e serviços públicos, revelada pelas manifestações de junho. Às vezes, para simplificar o que vejo hoje no país, socorro-me da teoria do cobertor curto: você puxa para o consumo, esfria o investimento, divulga a Copa, mas os jornais falam das chuvas intensas, dos desabrigados e das imutáveis áreas de risco nas cidades brasileiras. E assim segue: você faz um cinturão de segurança, ocupando favelas com forças de paz, mas esfria na zona norte, nas áreas metropolitanas, para onde fogem muitos bandidos.
Os fatos vão estar sempre por aí, mostrando que há alguma coisa errada na maneira como gastamos o dinheiro público. Apenas 28% das verbas para prevenção de enchentes foram gastos, enquanto nos estádios de futebol o ritmo de gastos já não se limita às obras, mas alcança os reparos do que foi feito de errado, como se viu no Maracanã e, agora, no Mané Garrincha. Não bastasse tudo isso, no final do ano Renan Calheiros usou um avião da FAB para fazer transplante capilar no Recife.
Se andassem um pouco na rua, teriam ideia de como essas coisas repercutem. E ainda dizem que ouviram a voz das ruas. As tensões levantadas pelo movimento de 2013 não foram resolvidas. Isso não significa que teremos de novo grandes demonstrações. A tentativa é de empurrar com a barriga, manter as coisas como estão, permanecer no poder, às vezes até debochando das críticas das ruas.
Li na biografia de Vargas escrita por Lira Neto que alguns de seus auxiliares tentavam levá-lo a mudanças, argumentando que era preciso fazer como os atores que se renovam, lançar novas peças, atrações, senão o teatro fica vazio. O desejo de mudança que existe agora é também um certo cansaço com essa longa experiência do PT e seus aliados no governo. Ela não é capaz de indicar novos rumos. Claro que sua hegemonia eleitoral não será ameaçada se os desejos de mudança não forem canalizados pelos oponentes.
A singularidade desta eleição com Copa do Mundo no Brasil pode trazer para o processo um interesse maior da imprensa internacional. O Brasil viverá dias intensos sob os olhares de muita gente. Tanto como no ano passado, os brasileiros no exterior certamente vão usar o momento para expressar suas expectativas sobre o país, ampliando a exposição nacional.
Assisti a alguns debates na TV e os analistas sempre mencionavam, por prudência, a imprevisibilidade. 2014 vai rolar, como diz o cartão. Mas para onde, de que jeito, com que convulsões ou espasmos? O nível de imprevisibilidade justifica-se pela presença desses elementos esparsos que de repente se podem reconfigurar de uma forma nova ─ Copa, eleição presidencial, desejo de mudança, esgotamento de um modelo econômico, perda de credibilidade do processo político. Caso não se combinem no sentido da mudança, isso quer dizer apenas que a mudança, sobretudo a ditada pela realidade econômica, foi adiada, ultrapassou o calendário de 2014.
Não apenas o ajuste econômico, mas algum tipo de renovação política seria menos doloroso se conversado antes, no momento eleitoral. Caso o processo eleitoral passe por cima desse desejo de mudança, aí, sim, o próximo presidente pode viver anos interessantes, no sentido que os chineses dão ao termo. Esse é um dos enigmas deste imprevisível 2014. Certamente há muitos outros e só poderemos desvendá-los com o tempo.
O ano apenas começou a rolar. Ainda uso palavras do ano passado e, como diz o poeta T. S. Elliot, palavras do ano passado pertencem à linguagem do ano passado e as palavras de um novo ano esperam outra voz. Isso predispõe à abertura ao imprevisível. Mas um olhar mais largo aos acontecimentos que preocuparam no final do ano mostra que eram previsíveis.
As inundações no Espírito Santo podem ser compreendidas por meio do minucioso livro de Warren Dean A Ferro e Fogo. Augusto Ruschi denunciou o processo de derrubada das matas e assoreamento dos rios. Num momento em que o Espírito Santo tinha 500 serrarias, os desmatadores levaram seu know-how para a Amazônia.
Estive no presídio de Pedrinhas após um motim com mortes. Alguns presos foram decapitados. Anotamos uma série de problemas que precisavam ser resolvidos para atenuar a violência ali. Até audiências na Assembleia fizemos para mobilizar os atores locais. Pedrinhas de novo, motim de novo. Cabeças cortadas. Tanta discussão científica sobre se é possível viajar para o passado, encontrar uma curva fechada que nos jogue para trás no tempo. E isso é tão frequente no Maranhão… Alguém precisa dizer isso a Stephen Hawking, que dedica parte de seu livroMinha Breve História à hipótese de uma viagem no tempo.

Porto Alegre registra maior inflação pelo IPC-S no ano de 2013, diz FGV

Variação foi de 0,84% na quarta semana; no cumulado do ano foi de 7,27%.

Setores de alimentação e transporte registraram variação acima da média.

Do G1 RS


O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) registrou a maior variação no acumulado de 2013 em  Porto Alegre . Entre as sete capitais pesquisadas, o resultado mais alto foi o da capital gaúcha, de 7,27%, segundo pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta sexta-feira (3).
Depois de Porto Alegre aparecem Brasília (6,08%), Rio de Janeiro (6,05%), Recife (5,81%), Belo Horizonte (5,13%), São Paulo (4,89%) e Salvador (4,08%).
Na apuração realizada na quarta semana de dezembro, a variação foi de 0,84%. O resultado foi 0,12 ponto percentual (p.p.) superior ao da terceira semana do mesmo mês, que foi de 0,72%. Foi a segunda maior alta no período.
Nesta edição, cinco das oito classes de despesa componentes do índice apresentaram aceleração em suas taxas de variação. As que se destacaram foram educação, leitura e recreação e transportes, com taxas que passaram de 0,44% para 0,98%, e de 0,76% para 1,20%, respectivamente. A análise do resultado, segundo a FGV, mostra que as pressões acima da variação média foram exercidas pelos grupos de alimentação, com 1,22%, transportes, com 1,20% e Educação, Leitura e Recreação, com 0,98%.
Por outro lado, a pesquisa mostra que ficaram em nível abaixo da variação média os grupos de habitação, com 0,73%, saúde e cuidados pessoais, com 0,39%, comunicação, com 0,37%, vestuário, com 0,28%, e Despesas Diversas, com 0,20%.

Dias de cão no jardim das ilusões de Dilma’, um artigo de José Nêumanne

Sempre que se fala em Glauber Rocha a tendência é relembrar obras-primas do cinema nacional que dirigiu, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, principalmente, e Terra em Transe, primoroso registro cinematográfico do subdesenvolvimento político nacional. Embora o documentário Maranhão 66 já circule há muito tempo no YouTube, poucos telespectadores o destacarão para o panteão em que figuram os dois grandes filmes citados. Afinal, trata-se de trabalho encomendado e pago e, portanto, suspeito de ser o registro hagiográfico de um político que sobreviveu ao cineasta e ainda atua com força e poder na gestão pública do seu Estado, onde seu clã reina até hoje, com raros interregnos insignificantes, e também na cena federal.

No entanto, Maranhão 66 é uma obra que só melhora com o tempo, sem ter sido necessária uma única mudança ou intervenção de seu diretor, o que seria impossível tanto tempo após sua morte precoce. Como é possível esse absurdo? Procure o filme e veja. O que assistirá é ao discurso competente, bem alinhavado e de certa forma barroco do jovem deputado federal do grupo rebelde da chamada banda de música da UDN nos anos 60 José Sarney assumindo o governo do Maranhão. As imagens acompanham, de início, o povo na praça ouvindo o eloquente tribuno e, depois, fazem um mergulho profundo num abismo de miséria e sordidez que confirma as palavras ditas na praça denunciando a barbárie vivida por aquela gente sob o jugo do padrinho e, depois, principal adversário do novo governador, o pessedista Vitorino Freire. E, coerente com as ancestrais utopias políticas nordestinas, prometendo uma era de paz, bonança e prosperidade, similar às profecias de peregrinos como Antônio Conselheiro, protagonista do massacre de Canudos. Hoje, quase meio século depois, a miséria é a mesma, o discurso é igual e o filme de Glauber, que parecia laudatório, torna-se uma denúncia política coerente e forte.
Já não se fazem documentários em p&b como antigamente e talentos como Glauber não existem mais. No entanto, o contraste brutal entre a retórica salvacionista e a horrenda realidade do subdesenvolvimento real manifesta-se de forma mais crua no cotidiano de informações e entretenimento da televisão colorida do dia a dia.
Ao começar o último fim de semana do ano passado, os telejornais diários exibiram de forma franca a atualidade ululante do documentário de Glauber no Maranhão de 1966. Câmeras e microfones registraram o drama de uma jovem mãe com seu bebê nos braços em peregrinação pelos hospitais públicos de sua cidade para encontrar um pediatra para consultar. Ela não estava no Vale do Jequitinhonha nem no sertão do Piauí, mas em plena capital da República e seus arredores. A criança não foi examinada, mas o secretário da Saúde do governo distrital, sob comando petista, não teve pejo de registrar a ausência de pediatras em sua jurisdição e terminou com a promessa de hábito: em março serão contratados novos profissionais. A pobre mãe e seu bebê que os esperem.
Domingo, à noite, em horário nobre, com discurso dessemelhante ao de seu aliado Sarney pelo estilo, mas bastante similar pelo afastamento da realidade, a presidente Dilma Rousseff descreveu e deu números positivos sobre o que seu governo tem feito pela saúde de pobres mães e bebês como aqueles. Vieram médicos de Cuba e eles estão garantindo o atendimento nos ermos do sertão brasileiro.
Por falar em sertão, os telejornais também noticiaram a falta de água em Itapipoca, no interior do Ceará, porque uma adutora, que custou R$ 16 milhões ao contribuinte, se rompeu e a construtora que vencera a concorrência para construí-la faliu. Ninguém responde pela obra inconclusa: os falidos sumiram e os que retomaram a obra nada têm a dizer. O governador Cid Gomes ─ que rompeu com o chefão de seu partido (PSB), Eduardo Campos, governador de Pernambuco, para ficar no palanque da presidente petista ─ tentou resolver o problema mergulhando num tanque buscando fechar um registro e evitar que a água vazasse. Enquanto isso, a população da cidade não tem água para lavar, cozinhar ou matar a sede de nenhum vivente.
Mas no Paraíso na Terra descrito por Dilma no domingo seguinte o país vive uma prosperidade não só inédita na própria História, como singular num planeta afundado em crise. E o único risco é provocado pela canalha oposicionista que maldiz a própria terra criando empecilhos para investimentos e prejudicando, assim, o pobre povo brasileiro. No discurso da presidente, de 15 minutos recheados de deselegantes gerúndios sem dês (estou fazeno, estou realizano, e por aí afora), os anjos dizem-lhe sempre amém, mas o diabo corre atrás para demolir sua fantástica obra de governo.
Só que no Maranhão governado por Roseana Sarney ainda resta um exemplo de que o endereço de nosso inferno é o mesmo do Éden de Dilma, embora o baiano Patinhas, que escreve seus discursos, não saiba. Na Penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, os chefões do crime organizado, que à ausência de autoridade mandam e desmandam, matam com métodos cruéis presos desassistidos pelo Estado cujas mulheres, irmãs e mães se neguem a lhes prestar favores sexuais. O Conselho Nacional de Justiça já contou 60 cadáveres e a Organização dos Estados Americanos cobrou reação imediata dos governos do Estado e da União. Ninguém apareceu para responder. O ofício foi para o Ministério da Justiça, o causídico Cardozo negou ser assunto dele e o reencaminhou para a Secretaria dos Direitos Humanos, cuja titular, Maria do Rosário, mandou de volta para o destinatário original. “Não é comigo” é o jeito gerentão com que Dilma modernizou o “não vi, não ouvi, não falei” do padim Lula de Caetés.
Infelizmente, contudo, ninguém encontrou nos longos e tediosos votos presidenciais de boas-festas uma só referência à segurança do bem-aventurado cidadão do Brasil sob a égide do PT e do PMDB. A vida de seu súdito não é da conta dela, nunca foi, nunca será. Vade retro! E amém nós tudo.
JOSÉ NÊUMANNE - Publicado no Estadão

Vendas de veículos têm queda

Conforme reportagem no site do Valor Econômico, em 2013 as  vendas de veículos têm 1ª queda em 10 anos, aponta Fenabrave

Por Olivia Alonso | Valor
SÃO PAULO  -  (Atualizada às 11h51) Balanço divulgado pela Fenabrave, a entidade que representa as concessionárias de veículos, confirmou a primeira queda nas vendas do mercado automotivo brasileiro em dez anos. Segundo a associação, a comercialização de veículos no país – entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus - caiu 0,91% no ano passado, somando no período 3,767 milhões de unidades.
Dezembro, com 353,9 mil veículos licenciados, foi o melhor mês do ano – porém, sem evitar o resultado negativo de 2013. No mês passado, as vendas subiram 16,8% em relação a novembro, mas caíram 1,5% na comparação com o desempenho de um ano antes.
Quando se considera apenas os carros de passeio e utilitários leves, segmento beneficiado em 2013 por descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), houve queda de 1,6% nos licenciamentos do ano passado, com 3,576 milhões de unidades emplacadas.
Ainda neste item, na disputa entre as marcas, a Fiat manteve a liderança pelo décimo-segundo ano seguido, com participação de mercado de 21,34%. Na sequência aparecem Volkswagen (18,64%), General Motors (18,17%), e Ford (9,37%).
O levantamento da Fenabrave mostra ainda que as vendas de caminhões, de 155,7 mil unidades no ano passado, subiram 13% na comparação com 2012 - um ano negativo, dada a mudança na tecnologia dos motores que encareceu o preço do veículo em até 15%. As vendas de ônibus, por sua vez, subiram 20,6% em 2013, para 35,6 mil unidades.
Motos
Os emplacamentos de motocicletas caíram 7,4% em 2013, na comparação com o ano anterior, ao somar 1,515 milhão de unidades, segundo dados da Fenabrave. 
Já os emplacamentos de implementos rodoviários, como caçambas de caminhões, subiram 33,6% no ano passado, para 69,5 mil unidades. 
Na soma de todo o setor automotivo, o que inclui os emplacamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários, o mercado brasileiro terminou 2013 com queda de 2,29%, totalizando 5,459 milhões de unidades, ante 5,586 milhões em 2012.
O resultado ficou abaixo da expectativa da Fenabrave, que era de uma queda de 1,52% para o setor em 2013.
(Olivia Alonso | Valor)

Frases Inspiradoras

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SOBRE PREVIDÊNCIA

ANO NOVO

Finalizado o ano e iniciado o ano novo. 
Tivemos o bom velhinho no natal e o ano bem velhinho despediu-se com a chegada do novo o ano de 2014. 
Análises feitas expectativas geradas e aboa já em jogo.      Sucesso a todos.

Dizia sabiamente o GRANDE poeta gaúcho Mario Quintana:

¨No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.
Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.¨